AS IMAGENS CALATÔNICAS
Paulo Machado
Uma importante e comum observação que decorre da vivência da Calatonia corresponde às imagens, que surgem espontaneamente durante o processo.
Estas imagens, que também podem emergir em outros exercícios, num estágio intermediário entre a vigília e o sono, e que na Calatonia se acrescenta, conforme a referência de PETHÖ (1974), na "mobilização de componentes epicríticos e protopáticos" através da sucessão "sutil e monótona" de estímulos nas extremidades inferiores ou superiores, correspondem a condensações projetivas, inclusive aquelas cujos conteúdos ainda não podem ser descritos ou que não atingiram a amplitude para uma descrição simples através de palavras e que, na medida em que não forem intencionalmente provocadas, direcionadas ou reduzidas a procedimentos interpretativos, possuem o mesmo valor simbólico que as imagens oníricas.
Tais imagens, embora referindo-se a uma expressão subjetiva que emerge durante o processo de relaxação, correspondem, conforme a observação de PETHÖ, a uma realidade psíquica, e assim constituem-se de imenso valor e ajuda para a compreensão do inconsciente e no desenvolvimento da psicoterapia.
PETHÖ chama a atenção, ainda, para o dinamismo integrador das imagens calatônicas e refere-se à "finalidade inerente" das mesmas, ou seja, à extraordinária correspondência de tais imagens com a necessidade momentânea do paciente.
A observação sistemática
das referidas imagens pelo psicoterapeuta, acrescentadas ao
processo da análise juntamente com as correspondências
corporais (recondicionamento psicofísico) que se verificam,
constituem-se numa composição integrativa que, apoiados na base
da Psicologia Junguiana, delimitam um novo método terapêutico e
certamente constituindo-se, o referido conjunto, numa importante
contribuição para o próprio desenvolvimento da psicologia
profunda.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
PETHÖ SÁNDOR, Técnicas de
Relaxamento. São Paulo, Vetor, 1974.