A Espiritualidade do Contato
“A massagem bioenergética
neonatal de Eva Reich, como promoção da saúde e como prevenção da
biopatia” - Silja Wendelstadt
Quando Wilhelm Reich
fundou a OIRC (Organ-Infant-Research-Center) em 1949, Eva Reich era médica e
assistente de seu pai. O objetivo da Fundação do Centro era descobrir qualquer
coisa que indicasse se a criança era saudável. Wilhelm Reich queria
compreender de que modo, as crianças iniciavam e desenvolviam os seus bloqueios
musculares e emocionais; seu objetivo era de
prevenir uma formação precoce de uma
“armadura de caráter”; muscular e emocional que poderia predispor a
uma futura
vida infeliz.
Para W. Reich sem dúvida
a depressão crônica, a cisão esquizofrênica, e os traços de caráter esquizóide,
o comportamento violento e anti social; teriam como origem a experiência traumática
precoce, acontecido no inicio da
vida, quando a criança para se proteger da dor, contraiu todo o seu “plasma
vital”. É nesta fase da existência, que se deve atuar, no trabalho de prevenção
da biopatia.
Eva Reich é uma daquelas
poucas pessoas que viu seu pai trabalhar até o fim de sua
vida, de um modo extremamente doce com os recém nascidos. Depois da sua
morte, ela tem continuado sua obra de prevenção, e elaborou toda uma técnica
da “Gentle Bionergetics”, ensinando pela América, Europa e Austrália.
O CONCEITO DO “CONTATO”
Observando no microscópio
os movimentos dos organismos vivos unicelulares observou como uma ameba reagia,
W. Reich tinha então descoberto
uma regra que, segundo ele, regularia o processo vital de pulsação interna
deste organismo unicelular e na relação entre eles. W.Reich chamou estes
organismos unicelulares de “bio-sistema”.
Um “Bio-sistema”
consiste de um núcleo energético pulsante no centro, o sangue, e uma membrana
que o contém. A energia pulsa no interior da membrana e um campo energético se
estende em torno desta. Se o ambiente é estimulante, a ameba se expande com um
movimento fluído, fazendo essa energia fluir em direção à periferia e o
campo de energia se alastra, se ao contrário, a estimulação por parte do
ambiente é hostil, a ameba se contrai, isto faz com que sua energia flua da
periferia para o centro retraindo o seu campo de energia. Se a estimulação por
parte do ambiente continua e é negativa, a pulsação cessa e a ameba morre.
Para W. Reich,
metaforicamente, é como se no caso de um ambiente estimulante, a ameba dissesse
“sim” com o movimento de expansão em direção ao ambiente externo;
enquanto que ao contrário na contração dissesse “não”.
A ameba procura um
encontro agradável com outra ameba mediante um movimento ondulatório e faz
“contato” entre elas, através de
uma “ponte de energia”. O processo de “contato” começa quando
dois campos de energia de dois bio-sistemas pulsantes se atraem, se tocam, se
sobrepõe e se fundem, emanando luz e vibrando juntos.
W. Reich deduziu que o
movimento da “bio-energia” no plasma da ameba é funcionalmente idêntico ao
movimento do plasma de todos os seres vivos; (que é um biossistema muito mais
complexo) e que a emoção (Expansão = Sim; Contração = Não), seja um
movimento real energético-expressivo do plasma. Ele chamou este movimento de
“linguagem expressiva do ser vivo”. W. Reich defende que este processo é
funcionalmente idêntico no “Contato” entre o recém-nascido e a mãe.
A função da mãe (ou de
quem lhe faz a vez) é o de promover prazer ao recém-nascido de modo que possa
entrar em “contato” com ela, para poder desenvolver o nascimento do seu
potencial de crescimento. Para W. Reich o prazer torna-se o processo
especificamente produtivo do sistema biológico. O recém-nascido
"passivo" na "fase autista” é, segundo este modelo, um bebê não
adequadamente estimulado pela mãe, esta fora do mundo.
Segundo W. Reich o bebê não
é passivo, mas nasce com um alto potencial de bio-energia
pulsante com a qual se exprime: onde a excitação parte de seu corpo, se
expandindo para entrar em contato com o ambiente-o corpo da mãe
os dois bio-sistemas se expressam cada um com sua própria vibração
auto-expressiva e, no “contato”, formando
um único biossistema maior, no interior
de qualquer
campo de
energia se funde,
comunicando-se com movimentos de expansão
em direção ao ambiente circundante.
W. Reich chama este
processo de “bio social”; “bio” porque é uma comunicação emotiva a um
nível de pulsação plasmático-energético, “social” porque se desenvolve
entre dois seres humanos. Segundo ele a comunicação bio-social
é a base de
qualquer comunicação .
As pesquisas de W. Reich
nos anos 50 vem hoje confirmar a recente indagação face aos recém-nascidos e
suas mães. Em vídeo-registro se analisou e salientou com a câmara, tornando
possível visualizar a micro-interação que não se pode observar a olho nu,
onde se vê um recém - nascido visto pela primeira vez. De modo algum passivos,
por sua própria iniciativa estimulam sua mãe a responder mostrando sua
necessidade, não recebem e nem compreendem as mensagens. Se o seu desejo de diálogo
muda, o pequeno é motivado a explorar, a brincar e a se cercar de prazer. Se
sua mãe não pode escutar suas mensagens, o recém-nascido luta para ser
notado, chora. No entanto se não é correspondido repetidamente, renuncia e se
retira em si mesmo; não acredita mais na sua própria capacidade em estabelecer
um “Contato”.
O recém-nascido, pela
estimulação de suas próprias funções vitais, tem necessidade de enraizar-se
no campo de energia de sua mãe. A sua vida depende disto. Quando está
enraizado no “Contato” com sua mãe o recém-nascido se encontra num estado
de saúde: isso é observado através do doce o calor emanado pelo corpo, é visível
a cor rosada da sua pele que se evidencia também nos olhos brilhantes, enquanto
os movimentos expressivos do bebê provocam o cuidado de sua mãe. Quando esta
se aproxima durante a massagem no recém-nascido; Eva Reich fala de “glow and
flow” (afeto e fluxo): “glow and flow” é a expressão visível do estado
de saúde e bem-estar do recém-nascido “em contato” com sua mãe; é a
expressão visível da liberdade da pulsação sangüínea - energética
auto -expressiva, através do qual a mãe e o recém-nascido dialogam ;
únicos em um único bio-sistema, quem "sabe" como se desenvolverá,
se a mãe puder cooperar.
Dá prazer esse
funcionamento e esta inter-relação durante o “contato-bioenergético”.
Deste contato depende o desenvolvimento futuro da criança.
Eva Reich explica como o “limite” é uma função
de “contato” sobre o qual se pode trabalhar bio-energéticamente e ensina
como se faz com o método da “Gentle Bioenergetics”, ensina, sobretudo, como
prevenir, no início da vida, os distúrbios na relação mãe-bebê, e as
conseqüências para eles efeitos graves para o futuro desenvolvimento da criança.
Um diálogo especial: carinho e amor
O “contato” é um
processo rítmico, energético, de tensões -carinhosas e de descarga -
relaxamento. Como W. Reich descreve em
“A Função do Orgasmo”. Todas
as emoções tem esse ritmo:
O acalentamento, o jogo, o pranto, e coisas assim.
Durante a massagem
bioenergética que ensina Eva Reich, a pele da criança tem fome de contato com
o corpo da mãe e a deseja ardentemente (tensão). No contato agradável com as
mãos da mãe a pele de ambos se carrega de energia, tornando rosa, quente,
vibrante, e um sentido de bem estar, conforto, que invade todos os dois, a criança
arde de prazer de ser amado.(carga). Depois que o pequeno se sacia, a carga flui
para o centro (descarga), e, feliz e relaxado, se abandona nos braços da mãe.
Você me sente, eu sinto você; nós dois nos pertencemos”. Esta é a
estrutura da vida e do amor: um fluxo rítmico-energético entre dois seres
vivos. O significado original da palavra religião é “pertencer”.
Em um continuum de
experiências filogenética
a criança estimula sua mãe
a responder a sua mensagem e espera que assim seja escutado.Com um senso
infinitamente sutil e refinado, comum a todas as mulheres, a mãe sente dentro
de si a reposta “exata”, responde alegremente à sua volta, ao feedback da
criança.
Este “contato” rítmico–energético é “Grounding and Grace”.
Grace ou graça, vem do Grego charis,
Amor que cura; Graça em Hebraico significa também “Útero”. O
“grounding” é a conexão energética com a mãe, é a condição com a qual
a criança poderá tecer o seu Ser no mundo. Graça é a encarnação do amor e
da cura com a qual a mãe se dedica, do seu ser mais profundo às necessidades
que não são satisfeitas da criança.
Este fenômeno do
“contato”, que segundo W. Reich é “a linguagem expressiva do ser
vivente”, vem descrito em termos científicos
bio-energéticamente como superposição dos campos de energia de dois
bio-sistemas vibrantes. Hoje as recentes pesquisas sobre recém-nascidos, feitas
com a câmara de vídeo, mostra ao mundo como o fenômeno do “contato”, mãe/recém-nascido,
este diálogo dança da linguagem primária do ser vivente. “Toda mãe cria e
passa esta dança pessoal e única, executando e transmitindo diante da própria
criança”. Neste peculiar e perfeito movimento, a seqüência improvisada da
adaptação recíproca, é parte de um processo universal, comum a toda mulher.
O conceito de
“identificação vegetativa” foi introduzido por Reich e indica a capacidade
de sentir no próprio organismo um processo específico energético, emocional,
de excitação de outra pessoa e de reconhece-lo. Eles descobriram que esse é
um “contato” suficientemente profundo entre
dois organismos
havendo uma ressonância
energética; com isso plasmática. Esta ressonância devolve a possibilidade
vital no próprio corpo expressando na pessoa com a qual esta em
"contato".
As crianças se manifestam
com movimentos auto-expressivos, que são reais
processos biofísicos energéticos – plasmáticos, com os quais
estimula sua mãe a entrar em contato com eles. Neste estado de “contato
bio-energético”, o fluxo de expressão da pulsação biofísica; a criança
pode se perceber no bio-sistema (corpo) da mãe , como movimentos e como sensações,
podendo ser compreendidos e satisfeitos como se os pertencesse.
A capacidade da mãe de
estar em “contato” com a criança atravessa a própria pulsação plasmática,
percebida como emoção no próprio corpo, depende da sua capacidade de
suportar, sem medo, a força, onde a excitação com aquela criança se exprime
durante o nascimento, e depois. Quem teve nos braços uma criança não esquecerá
mais esta sensação.
O problema daqueles que assistem o
nascimento
Para W. Reich era
essencial que os seus colaboradores tivessem esta capacidade de
identificação vegetativa como principal instrumento para reconhecer a
necessidade da mãe e da criança: " O sentido orgânico (=identificação
vegetativa) do contato, uma função do campo de energia de ambos ,mãe e criança,
sobretudo ao especialista.
O contato orgânico (bio-energético)
é elemento de experiência da emoção essencial na inter-relação entre a mãe
e a criança, sobretudo no período pré-natal e, nos primeiros dias e semanas
de vida. A sorte futura da criança
depende disso. Parece ser o "core" do desenvolvimento emocional do recém-nascido.
Sabemos muito pouco sobre isto.
Os resultados de recentes
observações diretas da dupla mãe - filho pressupõe que é possível analisar
rapidamente, no vídeo também, o que acontece na inter-relação recém-nascido
- médico (obstetra, ginecologista, pediatra, etc ).Se colocarmos agora critérios
objetivos para escolher aquele médico que possam auxiliar o “bio-sistema” mãe
/recém-nascido durante e depois do parto, facilitando o desenvolvimento e a sua
capacidade de auto-regulação da saúde. No futuro, esta pessoa terá
habilidade de "identificação vegetativa" para poder seguir as
mensagens não verbais da relação mãe/recém-nascido. Esta capacidade
permanece muito valorizada até hoje e não é uma coisa que se procura nos
ensinamentos nas escolas de especialização e nem universidades. Hoje se sabe
que pessoas fortemente encouraçadas, que tiveram suas próprias emoções
reprimidas, também tiveram uma ótima preparação universitária, não se
comunicando ao nível da “identificação vegetativa” com a
dupla mãe - recém - nascido e possam infringir, sem querer prejudicar o
plasma vital da criança.
"Não temos ainda
nenhuma idéia precisa sobre aquilo que é normal no esquema interativo entre a
mãe e a criança. Não se pode reduzir o saber intuitivo de uma mãe a alguma
coisa a aprender/conhecer. O andamento interativo se realiza através desta
correspondência intuitiva e instintiva. O apoio emocional não vem de conselhos
de especialistas mas de grupos informais de mulheres que vivem igual experiência.
A mãe dispõe de uma natural capacidade de identificar-se com as crianças, e
de se comunicar com ela, de um único modo correto entre ambos; e as crianças
confiam naturalmente em suas mães. “Os especialistas devem aprender
que as mães são sempre intuitivas ,o conselho para os especialistas em
nascimento é de se envolver o menos possível nos afazeres da mãe”.
Esta transformação é a
principal característica, segundo Silja Wendeslstadt, de seus grupos de
massagem de bebês.
Massagem – Bebê
A massagem–bebê
bioenergética oferece aos pais a possibilidade de compreender e sustentar este
carinhoso (e potente) processo de liberação da pulsação bio - energética; a
qual, segundo Eva Reich, é o pré-requisito da saúde auto-regulada, presente e
futura.
A massagem é parte de uma
antiga tradição oriental, que conhece o profundo valor da ligação entre mãe-filho
Eva Reich elaborando o pensamento de seu pai, que tinha descoberto no Ocidente,
sua base científica; o valor da massagem–Bebê e a aplicação sem perigo no
recém-nascido e também no
prematuro. As pesquisas científicas é resultado de um grupo de recém-nascidos,
massageados regularmente por
suas mães, apresentaram um desenvolvimento neurológico
significativamente melhor do que no grupo de controle não massageado.
O efeito da massagem - bebê
A estimulação doce da
massagem de Eva Reich,
que deriva
da vegetoterapia, (a
vegetoterapia é uma psicoterapia corporal
assim chamada por W.Reich porque incide sobre
sistema nervoso vegetativo), faz fluir a energia através dos blocos
musculares em direção à periferia (em
direção ao mundo ). A pulsação energética - plasmática através da
comunicação mãe e criança se harmoniza de tal modo que muitas mulheres com
profundos problemas emocionais, podem ser tratadas da depressão pós – parto
recebendo uma quantidade suficiente de massagens, antes, durante e após o
nascimento do bebê.
O prazer funcional que se
renova com a massagem harmoniza a ação do sistema neurovegetativo simpático
– parassimpático e tem um efeito positivo sobre todas as funções do
organismo, promovendo saúde. Basta pensar que os animais “fazem massagem”,
os recém-nascidos são lambidos, e que os pequenos que não são lambidos
morrem. Os recém-nascidos não acariciados, terão sua qualidade de sobrevivência
gravemente comprometida.
A massagem é
particularmente importante:
- Para bebês adotados e para seus novos pais para favorecer o vínculo.
- Para os bebês nascidos de cesariana, eles não receberam a forte
estimulação cutânea do nascimento pela vagina.
- Para os bebês que não puderam ser amamentados, e que com a massagem
recebem nutrimento energético.
- Para os bebês que as mães trabalham: o encontro regular e o intenso
fluxo de conforto que se transmite durante a massagem dá a mãe e a criança
alimento energético e proximidade.
- Para os bebês prematuros, o afeto transmitido pela massagem no recém
nascidos é surpreendente no seu desenvolvimento.
As últimas pesquisas
psicanalíticas confirmam a importância do bom contato com a pele para a
sobrevivência do Ser e as graves conseqüências de sua falta.
A pele é um órgão do
sentido muito amplo do corpo e muito importante para a sobrevivência do Ser. No
início os bebês percebem e conhecem o mundo através da pele: o modo com o
qual virão a ser tocados, e segurados nos braços e no início uma experiência
tátil.
Todo o mundo das sensações
se origina da pele elaborada pela mente. As sensações transformam-se em percepção,
emoções e sentimentos. A pele protege, contém, limita e simultaneamente
permite o contato com o outro, acolhe uma infinidade de estímulos e respostas.
Assim no nascimento a pele é o órgão que filtra o mundo externo. Por este
motivo a pele tem uma importância fundamental no final do nascimento. A
psicologia infantil coloca o desenvolvimento da mente e do pensamento já no
primeiro ano de vida, e a pele é o órgão principal, através do qual isto
acontece.
Os grupos de massagens - bebês
A experiência que
descrevo aqui refere-se a um grupo de bebês massageados
que Silja, reuniu em seu consultório particular .As mulheres já haviam
feito a preparação para o parto com ela anteriormente, no enfoque bioenergético
suave e se conheceram desde o primeiro mês de gravidez. Depois do parto, quando
o bebê já com um ano e três meses, a mãe retorna por 3 ou 4 encontros, junto
com seu marido com duração
de uma
manhã inteira. A massagem
deve durar de 10 a 20 minutos, a segunda exigência, é a resposta da criança e
o seu prazer que guia os movimentos e a duração.
No início dos encontros,
existe um trabalho com as mulheres de muito tempo de trocas de experiências
para a troca de experiências Normalmente, o grupo é composto em média por 6
mulheres com seus bebês e quase sempre tem 1 ou 2 pais. Quando querem iniciar a
massagem, as mães podem tirar a roupa de seus bebês, mas se os bebês choram
podem ficar vestidos. A massagem toca, sobretudo, a “aura” dos bebês e faz
efeito também em seus hábitos. As mães, nas suas sessões se deitam em
colchões , se dispondo em semicírculos ,enquanto a pessoa que conduz
o grupo mostra em uma boneca massageando- a, elas fazem a mesma coisa em
seus filhos. O toque é suave como sopro/vento ou como diz Eva Reich, a maneira
como toca é (como se fosse uma borboleta). As mãos se movem da testa em direção
aos pés (para descarregar as tensões em direção as partes baixas do corpo,
onde possam ser toleradas e descarregadas), a massagem deve ser feita do centro
do corpo para a periferia.
Em caso de stress, a
energia se encontra no centro do corpo e graças às estimulações, obrigam
fluir para a periferia; através da pele, pelas mãos da mãe. Um campo de
energia vibrante se cria entre as mãos e a pele se estendendo por todo o corpo.
É uma experiência que produz energia para ambos, durante o qual se entrega a
uma profunda comunicação.
Quando a energia começa a
fluir a pele do bebê se torna rosa e pulsante de um doce calor, provocando
contrações no bebê e também na
mãe.
Apreendida a fácil técnica
de Eva Reich e aprofundando o seu significado, se pode esquece-la: tudo se
transforma então em uma dança das mães com o corpo do bebê e lentamente todo
o corpo da mãe participa de um movimento rítmico, acompanhado de um canto
expontâneo.
Observa-se que freqüentemente
no início as mãos da mãe são pouco hábeis e cheia de temores e não agradam
muito o bebê, mas rapidamente começa o verdadeiro “contato” e com um pouco
de coragem, as mãos e todo o corpo da mãe se sentirão soltos. Na última sessão
parece que as mãos vibram sobre o corpo do bebê como um instrumento; o bebê
parece ser o instrumento e maestro ao mesmo tempo e o prazer que ele sente é
visível, com as mãos da mãe em seu corpo.
Depois do bebê
massageado, a mãe ainda permanece por muito tempo ligada a esta experiência
com as outras mães e seus filhos. O fervor com o qual se comunicam entre eles
se percebe o quão importante é: como uma “identificação vegetativa”.
Muitas vezes se verifica o que chamamos de um “contato bio-energético do
grupo”, é como se os campos de energia das mães e dos bebês se expandissem
e tornando-se muito luminoso, quase pulsante. O quarto parece transformar-se em
um macio útero de energia que envolve tudo. Se sente que é um momento de troca
particularmente intenso. Os bebês não choram mas escutam atentos, maravilhados
e respiram profundamente. Seus aspectos são róseos, os olhos brilham e se vê
o mesmo calor visível na mãe em seus movimentos. Juntamente com o som de sua
voz emite uma vibração de bem estar e de amor. Quando nestes momentos alguém
entra pode sentir como se estivesse em "outro mundo”, esperando se
envolver neste clima calmo e feliz
.
Período Sensível
Devemos procurar observar
e aprofundar considerando o “período sensível” depois do nascimento: um
momento único no qual se desenvolve uma forte ligação de reciprocidade,
“privilegiada” entre recém-nascido e seus pais. Nesta fase, a família tem
uma influência profunda. A antiga tradição indiana sabe bem disto; as
mulheres há milênio recebem massagens diariamente e por muitas semanas depois
do nascimento.
Nos grupos de preparação
ao parto, propõe-se normalmente que o marido faça massagem regularmente em
suas mulheres durante a gravides, e durante o esforço e no pós-parto. Esta prática
deveria se tornar uma regra geral em obstetrícia, porque as mães deverão ser
tocadas com doçura durante o parto, além disso, depois tocarão os recém-nascidos
com mãos hábeis, e um recém-nascido tocado com doçura fará o mesmo com seus
filhos.
Eva Reich não somente
insiste em sublinhar em seus workshops, que a mãe depois do nascimento não
deve se separar em nenhum momento do recém-nascido, mas adverte
que, a separação é um
“crime” contra a vida dos bebês e alerta para as graves conseqüências de
um tratamento insensível das mães e bebês, antes, durante e depois do parto,
porque a regra bio-energética é única , principalmente naqueles momentos. Tal
ligação se desenvolve na mãe a partir de seu saber instintivo e na criança,
a energia para seu crescimento. Este contato se reforça com a massagem. “A
criança é acariciada, como uma pequena planta que, tem muitas possibilidades
de se desenvolver, de crescer e de confiar em si mesmo na adversidade inevitável
da vida”.
Neste período pouco
considerado, este processo é profundamente
emotivo entre o recém-nascido e a mãe. Uma criança docemente abraçada
já no nascimento, aprende para sempre que é desejada e quando adulto, será
terno no abraçar. Por isso é importante que o obstetra ensine a massagem-bebê
no primeiro dia de vida e que os grupos de bebês massagiados iniciem o mais rápido
possível após o nascimento.
A massagem da mãe - "Maternando as mães"
Os sentimentos fortes e
contrastantes, de ternura e medo, que inundam o corpo da mãe durante e após o
nascimento, possam ser assim potentes, para superar pouco a pouco as resistências
da mãe que se opõe a isto. A compreensão, expressa-se também com um toque
empático da parte de quem esta próximo, podendo ajuda-la a superar o trauma de
aceitar a criança e a sensação de desordem que traz consigo, todo este
potencial biológico com o qual o recém-nascido
e a
mãe auto-regulam no
contato; deste modo poderão se
desenvolver em toda a sua plasticidade e profundidade.
Para a mãe, porém fazer
massagem - Bebê quando ainda está cansada por causa do parto, pode ser
trabalhoso, sobretudo se as primeiras tentativas são frustrantes e ela esta
insegura. Neste caso, a mãe mesmo recebendo a massagem-bebê pode fazer fluir
de novo a energia, junto com um senso de bem-estar. A mãe vem tranqüilizar
sobre o fato que não é possível ter sempre um bom contato com os bebês, mas
o que é importante é que possamos reconhecer quando um bom contato se
estabelece com as crianças, e que eles possam reconhecer quando perderam
“contato” e poderem recorrer pedindo ajuda.
Na cidade na qual Eva
Reich tem ensinado, instituiu-se um centro de “Pronto Socorro emocional”
onde a mãe (como também os pais) com seus filhos, quando, o contato bioenergético
entre eles é interrompido; recebem a necessária ajuda com “o método
bioenergético suave” principalmente com a massagem bioenergética do
nascimento. Deste modo, se previne ou interrompe rapidamente um “círculo
vicioso” como efeito negativo grave para o desenvolvimento das crianças. É
relativamente fácil
reconstruir um
círculo do equilíbrio natural bio-emotivo.
Quando a mãe está sobrecarregada e o bebê chora, ela fica nervosa, o pequeno
chora mais e ela cada vez fica mais nervosa.
Durante o estado de
abertura da mãe no período sensível, parece que acontece qualquer coisa de
particular quando ela recebe intenso contato rítmico e relaxante da massagem
bioenergética. O prazer e o calor do contato estimulado, em todas as células
da mãe, a livre pulsação bio-energética auto - expressiva.
Parece que o esquema afetivo-motor, bloqueado no passado, (talvez na
primeira infância? Talvez no momento do nascimento?) possam agora, na troca com
o próprio recém-nascido, ser estimulado a dissolver e desenvolver-se. Como se
a natureza quisesse, neste momento particular, colocar à disposição da dupla
mãe-bebê, todo seu potencial de auto-cura; é por isto, que tal período se
situa entre a cura e o sagrado.
A Espiritualidade do contato
Durante a massagem
bioenergética pós-parto, quando a energia entre a mãe e o bebê flui e pulsa
entre ambos, em toda a sua profundidade. Eles podem viver este “glow and
flow” e o amor vibrante irradia sobre o outro; estamos diante de um momento sagrado, no qual o social e o biológico
se encontram.
Duas personalidades
diferentes como Wilhelm Reich e Frédérick Leboyer, em épocas diferentes,
observaram e viram nos recém–nascidos satisfeitos, na sua cumplicidade com o
sorriso do BUDA: uma graça infinita que silenciosamente irradia, a qual
esperamos por toda a vida.
Se uma fraternidade
internacional entre os seres humanos jamais poderá ser fundamentada sobre uma
base estável, igual base natural, para que haja um funcionamento internacional
cooperativo da sociedade; poderá ser somente através do princípio do recém-
nascido; A herança bio-energética que cada recém-nascido trás consigo: Um
sistema energético enormemente produtivo e adaptado que dão a eles a fonte de
contato com o ambiente, e o modelo segundo
as próprias necessidades. A missão da base da educação deveria ser: remover
cada obstáculo que se opões a esta produtividade e plasticidade dessa energia
biológica naturalmente concedida.
Além disso, entramos em
contato com recém-nascidos, geralmente sentimos como eles emanam qualquer coisa
que pode nos restituir um mundo mais habitável: eles são capazes de um jeito
surpreendentemente transmitir amor e alegria a quem os sabe escutá-los.
Talvez possamos finalmente
iniciar um conhecimento, uma
percepção e uma compreensão do
grande potencial
de energia
criativa que existe dentro de nós e
a proteger de
nossas couraças
os “BEBÊS DO FUTURO”
ALGUMAS REFLEXÕES: Mariangela G. Donice
“Analisar meu próprio
processo, repensá-lo, revivê-lo e realimentá-lo é uma rica experiência de
aprendizagem; quando consigo ligar o que li com o que vivi é que realmente
aprendi alguma coisa .Quando aprendo assim, posso usa o conhecimento e aplicá-lo
em novas situações." Mariangela G. Donice
O desenvolvimento de um fluxo amoroso: emoção,
afeto, sentimento, pensamento.
Sándor - (1982)
O trabalho do Dr. Sándor
também se harmoniza com o pensar de Eva Reich, expresso neste poema de Rudof
Steiner:
No coração tece o sentir
Na cabeça brilha o pensar
Nos membros vigora o querer
Brilhocente
Tecer vigorante
Vigor brilhante
Isto
é o homem.
Na emoção se manifestam
os mais intensos os impulsos do inconsciente. É o vir-à-tona de explosões
mais primárias. E-moção: movimento
que sai de si em direção a... Numa
pessoa a emoção e o afeto são modalidades do sentir.
No afeto são mobilizadas
as ondulações dos humores. A emoção com somatização é traduzida por
afeto. São bem conhecidas as manifestações de rubor; nó na garganta;
taquicardia e sudorese, entre tantas outras. Diferentes reações viscerais
podem se apresentar, traduzindo a emoção mais primária numa história de
manifestações corporais.
- O sentir, para Jung, traz a consciência englobando a emoção e o
afeto.
- A consistência da emoção e do afeto aumenta com a tomada de consciência.
- O pensar pode trazer enaltecimento para o sentimento. Assim, ocorre uma
manifestação integrada em diferentes níveis, desenvolvendo um fluxo amoroso.
Durante
a aplicação dos
toques.
É essencial, dizia o Dr.
Sándor, que se deixe um espaço em aberto, não projetando expectativas sobre a
outra pessoa. Ficaram inesquecíveis as suas palavras:
-
“Não
queiram nada...”
-
“Apenas
observem o que vai ocorrer...”
-
“Deixe
surgir no momento a idéia do toque, sem planejamento prévio, convidar a pessoa
a se soltar com consciência e aceitação, é um bom caminho que vai criando as
condições para que o trabalho possa se desenvolver. Também os movimentos
espontâneos, que surgem durante o contato, devem ser sempre valorizados”.
O Dr. José Ângelo
Gaiarsa criou certa vez uma imagem que reflete esse mesmo “Espaço sem
expectativas": “...o encontro entre o cliente e o terapeuta deve ser como
dois aviões de esquadrilha voando em paralelo, onde o cliente, um pouco mais á
frente, vai criando os movimentos e a direção em “Céu aberto”. O
terapeuta segue acompanhando um pouco atrás e os dois formam um só movimento
no “Espaço”.
Novamente Sándor falando:
- “Sempre é aconselhável o uso de técnicas mais simples no início
de um contato”.
- Dr. Sándor sorria, ao dizer que as pessoas precisavam primeiro ser
“amaciadas”, para só então passarem a receber os toques mais sutis, quando
já tivessem desenvolvido a confiança e uma sensibilidade mais aprimorada.
Assim, para o início dos trabalhos, eram indicados os giros com as grandes
articulações, as seqüências dos trabalhos mais vigorosos, além de outras
combinações, entre as quais os pequenos estiramentos dos braços. Sempre foi
dada ênfase aos toques nos pés usando o método da “Calatonia” como sendo
uma abordagem que poderia ser usada desde o primeiro contato, mesmo com quem
nunca tivesse tido experiência com trabalhos corporais. A sutileza de apenas se
tocar os pés afasta o esquema de “defesas”, naturalmente acionado quando a
pessoa não está ainda preparada para outros toques, além do fato de ser um
trabalho de plena abrangência, que chega a nível de profundidade de difícil
alcance por meio de outros caminhos.
“COMO REGRA GERAL A
PRESENÇA DO “BOM SENSO” FAZ PARTE DOS TRABALHOS, SEMPRE LEVANDO EM
CONSIDERAÇÃO AS CONDIÇÕES FÍSICAS E PSÍQUICAS DA PESSOA NO MOMENTO.”
“AS CRIANÇAS NÃO SE
DEIXAM ENGANAR POR PALAVRAS... PELO TOQUE ELAS SENTEM SE PODEM CONFIAR OU NÃO...
REAGEM ÀS MÍNIMAS OSCILAÇÕES DE QUEM AS TOCA...”
“AS CRIANÇAS SÃO UM
EXCELENTE TESTE PARA SABER SE O TOQUE É BOM... SE O TERAPEUTA É BOM...”
“O PERÍODO DE GRAVIDEZ
TAMBÉM REQUER UMA ATENÇÃO ESPECIAL NA SELEÇÃO DOS TOQUES”.
Os toques podem afetar o equilíbrio e a
organização postural.
Muitos trabalhos alteram a
organização e o equilíbrio postural, podendo acarretar manifestações
neurovegetativas, como tontura ou enjôo. Convém sempre estar atento para
amparar e auxiliar a pessoa a se deitar caso haja necessidade. A solução do
corpo propicia condições para um reajuste postural mais adequado para o
momento ao lado da mobilização de um rebaixamento das defesas da consciência,
que facilita o vir-à-tona de conteúdos reprimidos. A soltura das tensões de
uma postura fixa promove condições para expansão e crescimento. Para auxiliar
a pessoa a ter condições de se soltar sem medo, convém orientá-la com
antecedência e informar que não vai se machucar e será amparada.
A importância do contato com a natureza para
fortalecer o corpo e a alma.
O contato com a natureza para a conquista do equilíbrio tanto do corpo
como da alma foi sempre enfatizado pelo Dr. Sándor. Ele falava com entusiasmo,
que subir montanhas era um excelente meio para combater depressão, pessoalmente
acredito que banhos de cachoeira também ajudem a combater a depressão, como
também trabalhar na terra.
A importância da qualidade do toque
A segurança do gesto que
se manifesta no “tocar” é essencial para transmitir ao paciente confiança
e criar condições para que ele se solte durante o trabalho corporal.
O desenvolvimento da sensibilidade das mãos e o aprimoramento do toque,
assim como a qualidade e alcance do olhar, vão
interferir diretamente no efeito dos trabalhos.
O “diálogo” por meio do toque vai aumentando de sintonia após os
primeiros contatos, até que se acaba estabelecendo um fluxo natural. A aproximação
deve sempre começar com cautela, afastando qualquer passo invasivo e criando
condições de conhecer melhor as mensagens que o corpo do paciente vai
manifestando....
“ a sensibilidade das mãos
e a ondulação da voz interferem no contato terapêutico.”
Influência da voz do terapeuta.
O tom de voz, o ritmo e a
cadência são importantes canais de comunicação, interferindo no momento em
que são feitas as orientações dos toques e durante todo tempo do encontro
terapêutico.
Antes do toque, o tom da
voz do terapeuta já pode começar a criar um clima que favoreça os trabalhos.
Após o toque, a voz do
terapeuta orientando o paciente para observar as sensações cria um fluxo de
continuidade no contato. O tom e o ritmo dos sons são também “toques.” É
conhecido o “poder da voz” na mobilização de sensações e de sentimentos.
A importância da observação atenta durante a
aplicação dos toques.
O corpo do paciente
costuma apresentar alterações durante os toques, olhe, escute, sinta, respire,
pense, deixe que suas mãos falem. Pode-se perceber, muitas vezes, mínimas reações
vegetativas que aparecem durante ou
após os toques e que podem ser
trabalhadas também como sinalizações, auxiliando na compreensão do que
está ocorrendo. Convém estar
atento para o fato de que o relaxamento traz em si
o benefício de rebaixar
“as fiscalizações do nível
consciente”, facilitando a conscientização dos conteúdos reprimidos.
EMOÇÕES VEGETATIVAS.
Imagine o organismo como
um grande animal unicelular, como, por exemplo, uma ameba ou um metazoário.
Mantenha essa imagem simplificada em sua mente quando pensar em você mesmo,
suas emoções e reações. Ao pensar sobre todos os diferentes processos que
ocorrem dentro de você, o processo metabólico, o vasomotor, o cardiovascular,
o respiratório, etc., saiba que, embora você seja composto por processos mais
complexos, fundamentalmente eles não
são diferentes da ordem básica da vida vegetativa. Como cada célula que pulsa
em nosso corpo, somos seres pulsantes. E essa pulsação é o movimento
alternado de contração e expansão que se pode encontrar em todos os lugares
em que existe um sopro de vida. É dessa forma que a água se move nos oceanos e
nos rios; em um fluxo contínuo que formam ondas e curvas, continuamente porque
não o vemos interromper – apesar de haver uma constante mudança de maré,
para dentro e para fora, uma precipitação de fluidos como a corrente de nosso
sangue, um impulso interno que mantém seu ritmo constante, como também as
batidas de nosso coração.
Se você está consciente
da vida vegetativa dentro de você, pode sentir esses movimentos sutis, como
ondas suaves ou fortes. Há as correntes do plasma que conduzem suas sensações
até sua mente. Através dessas ondas, você pode encontrar seu ritmo, e o ritmo
que você ousa sentir é sua identidade. E se você não consegue reconhecer
esses movimentos através de sua mente consciente, é porque eles não são únicos
para você, mas universais –eles são nossas emoções vegetativas.
O SISTEMA NERVOSO VEGETATIVO
Animais unicelulares que
não desenvolveram um sistema nervoso ainda
assim, possuem um sistema de coordenação que conduz impulsos do núcleo
até a periferia, a membrana, e de volta para o centro. Essa transmissão não
é neural, mas tem uma origem bio-elétrica, já que os impulsos são conduzidos
através das formações de ondas das correntes do plasma.
"Nossos sentimentos e
nossos corpos são como água fluindo para água. Nós aprendemos a nadar dentro
das energias dos sentidos(do
corpo)"TARTHANG TULKU
Mesmo nos estágios mais
primitivos de desenvolvimento, o corpo do animal possui um aparato central para
a produção de bioeletricidade. No metazoário, esse aparato consiste dos assim
chamados gânglios vegetativos, conglomerados de células nervosas que são
dispostas em intervalos regulares e são conectadas por finos ligamentos a todos
os órgãos e suas partes. Eles regulam as funções involuntárias da vida e são
os órgãos dos sentimentos e
sensações vegetativas. Eles formam uma unidade conjuntiva, um assim
chamado “syncitium” e se dividem ao mesmo tempo em dois grupos com uma função
oposta: simpático e
parasimpático (citação extraída de Wilhelm Reich: “A Função
do Orgasmo”.) O grupo simpático
tem por função lidar com as reações de sobrevivência provocadas pelo
ambiente externo, como por exemplo,
no caso de ataque ou fuga ou em qualquer situação de emergência . O grupo
parasimpático tem por função manter constantes os processos internos de
sobrevivência, o batimento cardíaco e o metabolismo basal.
O processo global de
sobrevivência é produzido por uma interação constante entre esses dois
grupos, que trabalham reciprocamente; um por vez Isso
acontece não
apenas porque
eles tem
diferentes funções, mas
porque a atividade parassimpática tem
uma relação específica com os subprodutos do simpático. Ela tem também
por função dissolver internamente as impulsões e impressões causadas pelas
reações aos estímulos externos. Assim, dentro do processo parasimpático pode
ocorrer uma extensão do processo metabólico, depois do evento, a fim de
descarregar o excesso simpático.
“Se você expressar o que está dentro de você,
“Então o que está dentro de você
“Será a sua salvação.
“Se você não expressar o que está dentro de você,
“Irá destruí-lo.”
-
Em
Gnostic Gospels - De Elaine Pages, Random House,1979.
O centro da
regulação vegetativa.
No animal unicelular esse
processo é espontaneamente realizado pelos movimentos pulsatórios da célula,
que libera uma energia excessiva através de expansões e contrações
alternadas. Na expansão, a célula assimila fluído e nutrição da água na
contração, a célula descarrega fluido e resíduos. Essa atividade rítmica e
pulsatória, que é o estado geral de relaxamento e função parassimpática,
permite à célula eliminar constantemente elementos perturbadores, ao mesmo
tempo em que gera energia para vitalizar funcionalmente o organismo. A regulação
vegetativa é produzida pelas lentas ondas de correntes plamáticas que estão
curando o organismo de dois modos:
1. Na descarga que se
segue à fase de recuperação posterior ao evento estressante quando os
subprodutos do stress são eliminados;
2. Na fase de reabilitação,
que se segue consequentemente para vitalizar e recarregar a célula.
No organismo multicelular,
são os órgãos digestivos - os intestinos - que estão a cargo desses
procedimentos pós-afetivo. De modo similar ao mecanismo de regulação pulsatório
do animal unicelular, os intestinos geram correntes de plasma através de seus
movimentos de contração, a peristalse. Sob condições favoráveis, a
atividade peristáltica é capaz de reabsorver quaisquer restos ou resíduos do
sistema e estimular os órgãos secretores e excretores a promover a descarga
final.
Esse processo de limpeza
é um fenômeno biológico, que é necessário para o organismo, para que ele
possa regular e estabilizar o equilíbrio vegetativo no dia-a-dia. Entretanto,
essa regulação só pode ocorrer quando não há nenhuma tensão interna
impedindo as correntes de plasma nas paredes intestinais.
Se esse procedimento pós-afetivo
vier acompanhado de ansiedade e contração, só vai
se dar uma recuperação artificial e não haverá reabilitação. Então,
a função parassimpática do centro de regulação afetiva não pode ocorrer,
os subprodutos de stress permanecem e o ritmo biológico é interrompido. Todas
as vezes que uma condição pós-afetiva não consegue promover descarga,
reabilitação e recarga suficientes, o organismo perde parte de sua
flexibilidade. Daí, as correntes de plasma diminuem de ritmo e nós perdemos
nossas emoções.
Minha crença é que o
sangue e a carne sejam mais sábios do que o intelecto. O inconsciente do corpo
é o lugar onde a vida borbulha em nós. É como nos sabemos que estamos vivos,
vivos nas profundezas de nossas almas, e em contato com as vívidas extensões
do cosmo. - D. H. Lawrence
É impossível pensar em
amar alguém sem querer estar perto e de tempo em tempo, tocá-lo.
Nós como terapeutas, nos
diz Robert Hilton - Ph. D. - Analista Bioenergético, freqüentemente ouvimos a
queixa: -“Ele diz que me ama, mas nunca me toca.” Isto não
combina. Na verdade há um
acréscimo de energia quando você ama alguém há um acréscimo de energia no
corpo que te move em direção á expressão.
Segundo
Dr. Stephen Sinatra, Cardiologista e Analista Bioenergético, os braços do
embrião se desenvolvem a partir de finos brotos ligados ao coração.
Quando você ama alguém
você quer abraçar. Isso é verdadeiro na paixão, mas também quando você ama
alguém que está magoado; nossa inclinação natural é tocar, beijar o que está
ferido para faze-lo sarar. Nós queremos segurar aqueles que amamos, que estão
feridos.
Tocar também é natural quando estamos compartilhando uma excitação mútua.
Para Robert Hilton, amor e excitação nos movem naturalmente para expressar o
acréscimo de energia através do contato físico.
“...
apesar de nossas diferenças, somos todos semelhantes. Além de identidade e
desejos, existe um núcleo comum do eu – uma humanidade essencial cuja
natureza é paz, e cuja expressão é pensamento, e cuja ação é amor
incondicional. Quando nos identificamos com esse núcleo interno, respeitando-o
e honrando-o nos outros e em nós mesmos, experienciamos a cura em todas as áreas
da vida”. - Joan Borysenko, em Minding the Body, Mending the Mind.
BIBLIOGRAFIA
1. A Espiritualidade do
Contato-Silja Wendelstadt da Revista Internacional ANIMA E CORPO de psicologia
somática - (outono/97- Milão).
2. Curso de Especialização
em Psicoprofilaxia Obstétrica-Sedes Sapientiae /1980.
3. The Active Birth Partners - Janet Balaska.
4. Toques Sutis -Uma
experiência de vida com o trabalho de PETHÖ SÁNDOR – Summus.
5. Material do Instituto
de Bio-Dinâmica - Gerda Boyesen.
6. O Toque em Psicoterapia
- Robert Hilton-, Ph. D. International Trainer of IIBA.
7. O Despertar do Tigre -
Curando o Trauma - Peter A. Levine - Summus Editora.
Psicóloga com especialização
em Psicoprofilaxia Obstétrica ( SEDES ); certificada e supervisora em Análise
Bioenergética pelo IABSP – INSTITUTO DE ANÁLISE BIOENERGÉTICA DE SÃO PAULO
membro executivo deste Instituto – "Filiado
ao " The International Institute for Bioenergetic Analysis-N.Y-IIBA"